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18 anos da invasão imperialista no Panamá

No dia 20 de dezembro de 1989, tropas norte-americanas derrubaram o governo militar para garantir seus interesses econômicos e militares sobre o lucrativo canal do Panamá

Causa Operária - 21 de dezembro de 2007

http://www.pco.org.br/internacional/18-anos-da-invasao-imperialista-no-panama/zep,z.html

No 18º aniversario da invasão das tropas norte-americanas ao Panamá, o presidente da Assembléia Nacional, Pedro Miguel González, pediu na quinta-feira (20) ao Estado panamenho uma “profunda investigação” sobre o verdadeiro número de mortes durante a invasão imperialista ocorrida no dia 20 de dezembro de 1989, sob o pretexto de derrubar o até então presidente e general, Manuel Antonio Noriega (1968-1989), acusado de narcotráfico. González afirmou que esta missão significaria “uma homenagem póstuma para os panamenhos que perderam a vida injustamente”.

“Creio que já é hora de que o Estado tome a decisão de investigar a fundo quem morreu, quantos foram e eventualmente erigir um monumento em sua memória” (Agência Boliviana de Informação, 19/12/2007). Ele destacou também que, “apesar de hoje viverem circunstâncias muito distintas e de boas relações com os EUA, é bom que se resgate essa parte da memória como País” (Idem).

Além disso, um projeto de lei que tramita na Assembléia Nacional pretende estabelecer o dia 20 de dezembro como uma data nacional, no qual alguns setores políticos panamenhos se opõem. Ele defendeu também o “desaparecimento” do tratado Salas-Baker, vigente desde 2002 e que mantém a ingerência norte-americana sobre o canal. Para González, “o mal não é que a Assembléia tome a decisão de que seja um dia festivo ou não, ou que seja um dia de luto como outro. O mal é que os EUA tomaram a decisão de invadir o Panamá cinco dias antes do Natal” (Ibidem). Ou seja, para o congressista, uma ocupação militar estrangeira talvez nem seja tanto alvo de protestos, mas sim o fato do País ter sido invadido e agredido durante o período de festas natalinas.

A invasão dos EUA no Panamá

No dia 20 de dezembro de 1989, os EUA realizaram sua maior manobra militar desde a guerra do Vietnã para derrubar o governo militar do general Noriega, sob o pretexto de proteger os cidadãos norte-americanos no País e combater o tráfico de drogas, no qual Noriega foi o pivô de um cartel de venda de drogas junto ao governo colombiano.

A violação dos princípios mais elementares da autodeterminação dos povos esteve sempre amparada por pretextos e argumentos inconsistentes para ocultar o principal motivo da invasão, que foi o controle sobre o canal do Panamá, a via marítima de 82 quilômetros que corta o istmo do Panamá e dá acesso entre o Oceano Atlântico e o Oceano Pacífico. Foi fundado oficialmente em 15 de agosto de 1914, sendo uma obra que custou a vida de mais de 5,6 mil operários vindos de diversos países. A obra foi considerada uma das Sete Maravilhas do Mundo Moderno e uma revolução para os padrões marítimos da época e, paralelamente, tornou-se uma ferramenta decisiva para a estratégia militar norte-americana. Os EUA usaram o canal durante a Segunda Guerra Mundial e esteve sob sua administração até 1999, quando o controle foi passado definitivamente para o Panamá, com base no tratado Torrijos-Carter, firmado em 1977.

“É por ali que passa grande parte do intercambio comercial americano por via marítima com o resto do mundo e também uma via (mais econômica) de ligação das duas costas do país, incluindo o óleo guatemalteco, que abastece o sul dos EUA”. Às vésperas de indicar o novo diretor responsável pelo canal, Noriega criaria assim um novo foco de atrito com os EUA. Estes, dispostos a manter seu controle militar e econômico sobre o canal, derrubaram o “homem forte” do Panamá e o julgaram por tráfico de drogas em um tribunal de Miami. A intervenção norte-americana deixou um número de mortos até hoje desconhecido. Oficialmente se reconhecem 500 mortos entre civis e militares, mas organizações dos direitos humanos estimam ser mais de cinco mil mortos.

Ingerência imperialista

A invasão imperialista, no entanto, é mostrada pela imprensa burguesa como a força de um exército libertador contra a ditadura militar. Assim sempre procuram apresentar tantas outras incontáveis invasões por parte dos EUA até hoje, como, por exemplo, no Iraque.

Noriega sempre foi um fiel escudeiro dos EUA, colaborando com a CIA, com a luta contra a revolução na Nicarágua e esteve envolvido diretamente no caso Irã-Contras, referente ao financiamento clandestino de armas durante a guerra do Irã/Iraque para financiar os Contras que combatiam a revolução nicaragüense. Os EUA não só queriam tirá-lo do poder, mas matá-lo. O local onde se pensava que ele estava no dia da invasão foi bombardeado, destruindo vários quarteirões em volta.

Um novo governo títere assumiu para dar continuidade aos negócios imperialistas não só no canal, mas em todo o território do Panamá, um verdadeiro paraíso das multinacionais. A intervenção imperialista no Panamá faz parte de uma política que se seguiu em vários outros países (Bolívia, Colômbia, El Salvador, Nicarágua, Argentina etc) com o objetivo de conter uma revolução entre os países latino-americanos. Esta política continua vigorando nos dias de hoje, porém disfarçada sobre a bandeira da “democracia”.

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